Para aqueles que pensam que vou falar sobre o Battle Lore lamento desapontá-los mas vou tratar de "jogo velho" porém novo para mim, pois o objetivo é comentar o Cleopatra and the Society of Architects.
O jogo surpreendeu porque não esperava que servisse como um gateway, mas alguns amigos non-gamers em visita a minha casa em São Paulo viram a caixa, tiveram a atenção despertada e pediram para jogá-lo.
Assim abandonei meus planos de sequência de jogos e atendi aos desejos das visitas, o que foi uma satisfação para todos: joguei minha segunda partida e pude avaliar melhor o jogo enquanto os meus convivas adentraram no mundo dos jogos com uma experiência divertida.
O conceito do jogo é simples: coletar recursos (cartas) que são trocadas por peças, as quais são inseridas no palácio, com o que o jogador ganha dinheiro e quem tiver mais dinheiro, ao final do jogo, vence.
Seria muito inocente se não fosse um detalhe: no afã da construção o jogador é levado a se corromper para obter facilidades e quem for mais corrupto, mesmo que seja o mais rico, não será sagrado o vencedor mas sim atirado aos crocodilos.
Resumidamente no seu turno o jogador tem duas opções:
1. ir ao mercado para comprar cartas; ou
2. ir a pedreira para tomar as peças que irá construir
As cartas no mercado são dispostas em três colunas, para pegar as cartas basta escolher uma coluna e tomar todas as cartas que ali estiverem, após o que o jogador pega 3 cartas do monte e coloca uma cada coluna, incluindo a coluna que ele esvaziou. Desta forma, no final do turno, serão duas colunas com uma carta a mais e uma coluna com uma única carta.
O detalhe é que as cartas são misturadas pois metada das cartas é embaralhada com a face para baixo e a outra metade com a face para cima. Desta forma há uma incerteza sobre o que pegar. E essa incerteza é agravada pela questão que ao estourar o limite de 10 cartas na mão o jogador é obrigado a realizar a seguinte escolha:
a) ganhar 1 pto de corrupção e se livrar do excedente; ou
b) manter o excedente ao custo de 1 pto de corrupção por carta
Isso obriga a todos a realizarem um constante gerenciamento da mão em contraponto ao que existe disponível no mercado e no que resta a ser construído. Logo, um jogador excessivamente cauteloso quanto à corrupção terá menos dinheiro enquanto outros, embora correndo o risco da corrupção estarão fazendo fortuna. Para azar do nosso amigo cauteloso apenas um destes ambiciosos construtores morrerá.
Em tempo: na partida de 2 jogadores não há morte mas apenas uma penalidade em dinheiro para o mais corrupto.
Assim, saber dosar a corrupção a ser ganha bem como gerenciar os recursos para otimizar suas fases de construção e fazer mais dinheiro é a chave do jogo, o qual funciona muito bem em qualquer número dos jogadores possíveis.
A partida é dinâmica pois eventualmente as rodadas são muito rápidas quando seguidas de idas sucessivas ao mercado, mesmo a fase de construção não é das mais demoradas pois todo o tabuleiro é muito bem organizado, facilitando muito a jogabilidade.
Consideraria o jogo como de peso médio. Em quatro ou cinco jogadores ele pode demorar no máximo duas horas.
Dado o sucesso do Cleopatra estou tentado a dar uma oportunidade para o Pirate's Cove na minha coleção :-)
Ah, quem quiser saber mais detalhes sobre o jogo pode dar uma olhada no
www.boardgameswithscott pois nosso simpático barbudo fez um "video-review" sobre este jogo.
abs
Stein